Cadu será homenageado na próxima flip.
http://g1.globo.com/flip/2011/noticia/2011/07/carlos-drummond-de-andrade-sera-o-homenageado-da-flip-em-2012.html
terça-feira, 12 de julho de 2011
terça-feira, 5 de julho de 2011
Cadeira de escritório
"Essa é uma brincadeira com o texto que está logo abaixo."
Cadeira de escritório é móvel moderno brasileiro que não fica mal em casarões antigos. É ergonômico para trabalho, tem até rodinhas; por isso móvel, se não deveria ser imóvel mas isso é outra estória; estimula o trabalho e não causa desvio de coluna. Quem se instalar nela poderá descansar do trabalho ou se aprofundar nele, de qualquer forma, mais a seu cômodo. Daí o título do livro, a que procurei também dar certa arrumação, dividindo-o em secções com subtítulos uniformes; uniformes e arrumação coisas de trabalho. Para isso, não mudei o título de nada, claro o trabalho não é meu. Uns escritos são de S.A.. Trazendo-os para cá, foi como a abertura de uma grande multinacional, álias bem engajada para ser a de maior lucro. Todas as demais crônicas são inéditas em livro. Muito bem vamos trabalhar.
Cadeira de escritório é móvel moderno brasileiro que não fica mal em casarões antigos. É ergonômico para trabalho, tem até rodinhas; por isso móvel, se não deveria ser imóvel mas isso é outra estória; estimula o trabalho e não causa desvio de coluna. Quem se instalar nela poderá descansar do trabalho ou se aprofundar nele, de qualquer forma, mais a seu cômodo. Daí o título do livro, a que procurei também dar certa arrumação, dividindo-o em secções com subtítulos uniformes; uniformes e arrumação coisas de trabalho. Para isso, não mudei o título de nada, claro o trabalho não é meu. Uns escritos são de S.A.. Trazendo-os para cá, foi como a abertura de uma grande multinacional, álias bem engajada para ser a de maior lucro. Todas as demais crônicas são inéditas em livro. Muito bem vamos trabalhar.
terça-feira, 21 de junho de 2011
Cadeira de balanço
ps. prefácio do livro cadeira de balanço.
Cadeira de Balanço é móvel da tradição brasileira que não fica mal em apartamento moderno. Favorece o repouso e estimula a contemplação serena da vida, sem abolir o prazer do movimento. Quem nela se instale poderá ler estas páginas mais a seu cômodo. Daí o título do livro, a que procurei também dar certa arrumação, dividindo-o em seções com subtítulos uniformes. Para isso tive os títulos com que esses escritos forma divulgados anteriormente. Uns poucos andavam dispersos em livros de autoria múltipla:"A abrobrinha", "A cabra e Francisco" e "O compositor e seu festival", em Quandrante I; "No restaurante","Acontemplção do Arpoador", em Quadrante II;"Compra uma cadeira","Caso de escolha","Assiste à demolição","No lotação","A casadeira","A descoberta do mar" e "A uma senhora", em Vozes da Cidade. Trazendo-os para aqui, foi como se recolhesse objetos emprestados a vizinhos, aliás simpáticos. Todas as demais crônicas são inéditas em livro. Vamos sentar.
domingo, 29 de maio de 2011
Muito legal esse texo do Cadu.
| Hoje não escrevo Chega um dia de falta de assunto. Ou, mais propriamente, de falta de apetite para os milhares de assuntos. Escrever é triste. Impede a conjugação de tantos outros verbos. Os dedos sobre o teclado, as letras se reunindo com maior ou menor velocidade, mas com igual indiferença pelo que vão dizendo, enquanto lá fora a vida estoura não só em bombas como também em dádivas de toda natureza, inclusive a simples claridade da hora, vedada a você, que está de olho na maquininha. O mundo deixa de ser realidade quente para se reduzir a marginália, purê de palavras, reflexos no espelho (infiel) do dicionário. O que você perde em viver, escrevinhando sobre a vida. Não apenas o sol, mas tudo que ele ilumina. Tudo que se faz sem você, porque com você não é possível contar. Você esperando que os outros vivam para depois comentá-los com a maior cara-de-pau (“com isenção de largo espectro”, como diria a bula, se seus escritos fossem produtos medicinais). Selecionando os retalhos de vida dos outros, para objeto de sua divagação descompromissada. Sereno. Superior. Divino. Sim, como se fosse deus, rei proprietário do universo, que escolhe para o seu jantar de notícias um terremoto, uma revolução, um adultério grego - às vezes nem isso, porque no painel imenso você escolhe só um besouro em campanha para verrumar a madeira. Sim, senhor, que importância a sua: sentado aí, camisa aberta, sandálias, ar condicionado, cafezinho, dando sua opinião sobre a angústia, a revolta, o ridículo, a maluquice dos homens. Esquecido de que é um deles. Ah, você participa com palavras? Sua escrita - por hipótese - transforma a cara das coisas, há capítulos da História devidos à sua maneira de ajuntar substantivos, adjetivos, verbos? Mas foram os outros, crédulos, sugestionáveis, que fizeram o acontecimento. Isso de escrever O Capital é uma coisa, derrubar as estruturas, na raça, é outra. E nem sequer você escreveu O Capital. Não é todos os dias que se mete uma idéia na cabeça do próximo, por via gramatical. E a regra situa no mesmo saco escrever e abster-se. Vazio, antes e depois da operação. Claro, você aprovou as valentes ações dos outros, sem se dar ao incômodo de praticá-las. Desaprovou as ações nefandas, e dispensou-se de corrigir-lhe os efeitos. Assim é fácil manter a consciência limpa. Eu queria ver sua consciência faiscando de limpeza é na ação, que costuma sujar os dedos e mais alguma coisa. Ao passo que, em sua protegida pessoa, eles apenas se tisnam quando é hora de mudar a fita no carretel. E então vem o tédio. De Senhor dos Assuntos, passar a espectador enfastiado de espetáculo. Tantos fatos simultâneos e entrechocantes, o absurdo promovido a regra de jogo, excesso de vibração, dificuldade em abranger a cena com o simples par de olhos e uma fatigada atenção. Tudo se repete na linha do imprevisto, pois ao imprevisto sucede outro, num mecanismo de monotonia... explosiva. Na hora ingrata de escrever, como optar entre as variedades de insólito? E que dizer, que não seja invalidado pelo acontecimento de logo mais, ou de agora mesmo? Que sentir ou ruminar, se não nos concedem tempo para isso entre dois acontecimentos que desabam como meteoritos sobre a mesa? Nem sequer você pode lamentar-se pela incomodidade profissional. Não é redator de boletim político, não é comentarista internacional, colunista especializado, não precisa esgotar os temas, ver mais longe do que o comum, manter-se afiado como a boa peixeira pernambucana. Você é o marginal ameno, sem responsabilidade na instrução ou orientação do público, não há razão para aborrecer-se com os fatos e a leve obrigação de confeitá-los ou temperá-los à sua maneira. Que é isso, rapaz. Entretanto, aí está você, casmurro e indisposto para a tarefa de encher o papel de sinaizinhos pretos. Concluiu que não há assunto, quer dizer: que não há para você, porque ao assunto deve corresponder certo número de sinaizinhos, e você não sabe ir além disso, não corta de verdade a barriga da vida, não revolve os intestinos da vida, fica em sua cadeira, assuntando, assuntando... Então hoje não tem crônica |
domingo, 22 de maio de 2011
Poema de sete faces
Depois da minha mínima brincadeira com o poema de Drummond, posto o real poema de sete faces deste gênio.
- Poema de sete faces
Quando nasci, um anjo torto
desses que vivem na sombra
disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida.
As casas espiam os homens
que correm atrás de mulheres.
A tarde talvez fosse azul,
não houvesse tantos desejos.
O bonde passa cheio de pernas:
pernas brancas pretas amarelas.
Para que tanta perna, meu Deus, pergunta meu coração.
Porém meus olhos
não perguntam nada.
O homem atrás do bigode
é sério, simples e forte.
Quase não conversa.
Tem poucos, raros amigos
o homem atrás dos óculos e do bigode.
Meu Deus, por que me abandonaste
se sabias que eu não era Deus,
se sabias que eu era fraco.
Mundo mundo vasto mundo
se eu me chamasse Raimundo
seria uma rima, não seria uma solução.
Mundo mundo vasto mundo,
mais vasto é meu coração.
Eu não devia te dizer
mas essa lua
mas esse conhaque
botam a gente comovido como o diabo.
Poema de uma face só.
Quando nasci, um anjo nao-torto
desses que vivem na luz
disse: Vai, Marcos! ser guache na vida.
desses que vivem na luz
disse: Vai, Marcos! ser guache na vida.
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